Os professores Gisele Mendes de Carvalho e Geovanio Edervaldo Rossato, da chapa 2 – Em Defesa da UEM, foram eleitos reitora e vice-reitor da Universidade Estadual de Maringá (UEM) para a gestão 2026-2030 da instituição, em votação em segundo turno, após apuração realizada nesta terça-feira (1). A chapa vencedora obteve 51,7% dos votos válidos contra 48,3% da chapa 3 – União e Modernização, composta por Romel Dias Vanderlei e Adriana Aparecida Pinto.
A chapa 2 apresentou desempenho superior em dois dos três segmentos da comunidade universitária, empatando em outra – nas dos docentes, com 652 votos. Entre os agentes universitários, a chapa vitoriosa alcançou 758 eleitores, enquanto a chapa 3 angariou 678. Como no primeiro turno, os estudantes fizeram a diferença, adicionando mais 2.921 votos para Gisele e Geovanio e 2.542 para Romel e Adriana. No total, 8.295 eleitores participaram do pleito.
A reitora eleita, muito emocionada, exaltou, em seu discurso após o anúncio e a homologação do resultado da eleição, a necessidade de unidade da Universidade e o empenho para vencer a eleição.
“Foi com muito esforço, muito voto, muita caminhada, muitos olhares, muitos apertos de mão. E foi uma caminhada belíssima, porque a Universidade defendeu sua autonomia – porque eu sei que todos queremos isso aqui – e vai seguir defendendo, porque agora a Universidade tem uma professora de Direito, uma advogada em defesa da UEM”, afirmou Gisele.
A reitora eleita também refletiu sobre a relevância da vitória em articulação ao fato de ser apenas a segunda mulher a ocupar o cargo máximo da instituição, em 56 anos de história.
“A universidade escolheu a autonomia, mas também escolheu a mulher, após a professora Neusa Altoé, 28 anos depois. Isso também tem um significado de representatividade histórico. Eu quero dizer que agora eu sou reitora de todos e todas aqui nessa Universidade: docentes, agentes e estudantes. Somos uma só UEM”, disse Gisele.
Já Romel elogiou o processo democrático que culminou na vitória de Gisele e Geovanio e parabenizou a chapa vencedora, agradecendo também a seus apoiadores.
“Infelizmente, não foi o que nós esperávamos, mas estamos num processo democrático. Nós acreditamos naquilo que nós fazemos, naquilo que pensamos, e naquilo que todos os nossos apoiadores nos ensinaram e apoiaram. E agradeço especialmente a cada um de vocês na missão presente, que nos incentivara para continuar essa trajetória. Queria dizer também que nessa caminhada conheci pessoas fantásticas, aprendi muito e não me arrependo de estar aqui, nesse momento. Foi maravilhoso”, agradeceu Romel.
O reitor Leandro Vanalli também se pronunciou sobre o resultado da eleição que alçou a atual vice-reitora ao cargo máximo da UEM no próximo quadriênio, congratulando a chapa vencedora pela vitória e as derrotadas pela participação no processo eleitoral.
“Quero parabenizar a chapa vencedora, encabeçada pela professora Gisele Mendes e pelo professor Geovanio Rossato, como vice-reitor. Que eles tenham sucesso em sua gestão, escolhida pela maioria da nossa comunidade universitária. Desejo a eles pleno êxito no exercício de sua missão, escolhida pela nossa comunidade que compareceu em peso nesse momento democrático e bonito da nossa amada UEM”, afirmou Vanalli.
O reitor também se colocou à disposição para dar início ao período de transição para a nova gestão.
“Já comuniquei à reitora e ao vice-reitor eleitos que a minha equipe está à disposição para que, a partir da direção deles, se inicie o processo de transição. O chefe de gabinete, professor Wesley também está à disposição para o contato com a equipe que a nova reitora eleita irá compor para iniciar o processo de transição”, disse Vanalli.
A posse da nova Reitoria está prevista para 9 de outubro, com a entrada em exercício da gestão eleita no dia 11 do mesmo mês.
A reitora eleita
A trajetória de Gisele Mendes de Carvalho na UEM começou como estudante. Graduada em Direito pela instituição, com láurea acadêmica, em 2000, se tornou mestre em Direito pela UEM três anos depois. Na sequência, concluiu doutorado e pós-doutorado em Direito Penal pela Universidade de Saragoza, na Espanha.
Professora associada do Departamento de Direito Público (DDP) e docente do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas (PPP), Gisele atua nas áreas de Direito Penal, violência, proteção às mulheres, assédio, violência policial e justiça restaurativa.
Na gestão universitária, foi chefe adjunta e chefe do DDP, diretora do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CSA) e participou de processos estratégicos, como a elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). Em 2022, foi eleita vice-reitora da UEM na gestão de Leandro Vanalli. Durante o mandato, participou da criação do protocolo Contrabuso, voltado ao acolhimento e atendimento de vítimas de violência sexual na Universidade.
O vice-reitor eleito
Com mais de três décadas de trajetória na UEM, Geovanio Edervaldo Rossato construiu carreira nas áreas de ensino, pesquisa, extensão e gestão universitária. Professor associado do Departamento de Ciências Sociais (DCS), reúne formação em Filosofia e Direito, além de doutorado em Antropologia Cultural e pós-doutorado em Antropologia Social e História da América pela Universidade de Barcelona.
Na UEM, atuou no Departamento de Fundamentos da Educação (DFE) e, posteriormente, no DCS, onde exerceu as funções de chefe e chefe adjunto. Também foi diretor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH), entre 2020 e 2022, e procurador-geral da Universidade, a partir de 2022.
Rossato também tem atuação na pós-graduação e na extensão universitária, com pesquisas e projetos voltados a educação, cidadania e segurança pública. Entre as iniciativas que coordenou está o Cursinho da UEM, voltado à preparação de estudantes de camadas populares para o ingresso no ensino superior.
Desafios para o próximo quadriênio
Nos próximos quatro anos, Gisele e Geovanio terão pela frente desafios que ultrapassam a gestão cotidiana da universidade: fortalecer o ensino, a pesquisa e a extensão; ampliar as políticas de permanência estudantil; investir em tecnologia e inovação; e administrar um orçamento que gira em torno de R$ 1 bilhão. É a partir desse cenário que começa um novo capítulo na história da Universidade Estadual de Maringá.
(Fábio Candido, com informações de João Lazaretti e Mônica Chagas/Comunicação UEM)