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Prefeitura de Curitiba testa hidrossemeadura para proteger margens dos rios e reduzir erosão
Por Administrador
Publicado em 17/09/2026 16:35
Notícias do Paraná

A Prefeitura de Curitiba está testando uma nova forma de deixar as margens dos rios mais protegidas e evitar que a terra deslize para dentro deles em dias de chuva, prolongando o trabalho de limpeza e desassoreamento realizados periodicamente na cidade. A Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop) começou a plantar uma cobertura vegetal em um trecho do Rio Vila Formosa, no Fazendinha, lançando sementes sobre o solo e acelerando o nascimento das plantas.

O projeto-piloto usou a hidrossemeadura, uma técnica de plantio que utiliza um jato de alta pressão para aplicar diretamente sobre o solo uma mistura líquida de sementes, água, fertilizantes, adesivos e matéria orgânica. A expectativa é que as raízes das gramíneas plantadas ajudem a segurar a terra, reduzir a erosão e fazer com que o trabalho de limpeza dos rios dure mais tempo. 

Cobertura vegetal

A combinação acelera a germinação formando uma cobertura vegetal que ajuda a reter a umidade, proteger o solo e aumentar a estabilidade das encostas. O teste está sendo realizado em um trecho de aproximadamente 200 metros das margens do Rio Vila Formosa, na Rua Adorides de Jesus Cruz Camargo, no Fazendinha, próximo à foz do rio, onde ele encontra o Rio Barigui.

A semeadura foi realizada nesta quarta (16/9) e quinta-feira (17/9) e o local será acompanhado pelas equipes do Departamento de Pontes e Drenagem da Smop nos próximos meses. A expectativa é de que a germinação das gramíneas comece ao longo dos próximos 15 dias e que, em cerca de 90 dias, a vegetação já ofereça uma cobertura significativa do talude, iniciando o “serviço de proteção”.

Um dos objetivos é encontrar uma forma de fazer com que o trabalho de limpeza e desassoreamento dos rios tenha maior durabilidade. Desde janeiro de 2025,  mais de 106 km de rios de Curitiba já receberam serviços de limpeza, desobstrução e desassoreamento, em 350 intervenções realizadas pelo Município.

O teste agora faz parte de uma estratégia mais ampla de manutenção dos cursos d’água da cidade. A proposta, explica o secretário municipal de Obras Públicas, Luiz Fernando Jamur, é combinar a retirada de resíduos e sedimentos dos rios com ações preventivas capazes de reduzir a entrada de terra novamente nos leitos. 

“Vamos avaliar se a vegetação pode ser usada como parte da solução, uma vez que as raízes devem ajudar a segurar as margens. A cobertura vegetal protege o solo e menos sedimentos chegam ao rio. Se os resultados forem positivos, a técnica poderá se tornar mais uma ferramenta utilizada pelo Município para cuidar dos rios e aumentar a eficiência dos serviços de drenagem e prevenção de alagamentos”, diz Jamur. 

Gramíneas de raízes profundas

Ao invés de usar uma cobertura convencional de grama, a técnica testada no Rio Vila Formosa utiliza diferentes espécies de gramíneas escolhidas justamente pela capacidade de desenvolver raízes profundas e contribuir para a contenção natural das margens.

As espécies utilizadas têm capacidade de florescer em diferentes períodos do ano e podem desenvolver raízes que chegam a profundidades de aproximadamente 2 a 5 metros. Com isso, a expectativa é criar uma estrutura vegetal capaz de ajudar a manter o solo no lugar, reduzindo a erosão provocada pela ação da água.

“Além de proteger o curso d’água, a medida busca reduzir o carreamento de solo e de sedimentos para o interior do rio. Com menos material sendo depositado no leito, os serviços de limpeza e desassoreamento tendem a apresentar maior durabilidade”, explica o diretor do Departamento de Pontes e Drenagem, Paulo Vitor Lucca.

A hidrossemeadura, destaca Paulo, não é uma medida inédita. “É amplamente usada, mas geralmente aplicada em encostas, pouco usada em curso d'água como estamos testando”, explica o diretor do departamento.

Ampliação do projeto

Por enquanto, a hidrossemeadura está sendo utilizada de forma experimental. Durante os próximos meses, as equipes da Smop vão acompanhar o desenvolvimento da vegetação e observar como as espécies se comportam. A avaliação vai considerar a eficiência da técnica na proteção das margens, custos envolvidos e a durabilidade da solução.

“A partir dos resultados, será avaliada a viabilidade de ampliar a utilização dessa técnica para outros rios e córregos de Curitiba”, afirma Lucca.

(Cris Guancino/Prefeitura de Curitiba) 

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