A Câmara de Vereadores de Maringá outorgou em sessão solene nesta quinta-feira (17) o título de Cidadão Benemérito de Maringá ao desembargador José Cândido Sobrinho.
O homenageado atua como juiz há 42 anos e em março deste ano foi promovido ao cargo de desembargador. Em Maringá, começou a trabalhar em abril de 1994, onde contribuiu de forma expressiva com a magistratura. Cândido Sobrinho é o juiz com maior tempo de atuação na cidade, somando 32 anos de serviços prestados.
Em 2012, assumiu a Vara da Infância e Juventude e liderou o projeto “Adoção Segura”, voltado à regularização de adoções e ao combate ao abandono infantil. O projeto foi reconhecimento nacionalmente ao conquistar, em 2019, o 8º Prêmio AMAERJ Patrícia Acioli de Direitos Humanos.
Cândido Sobrinho também foi diretor do Fórum Central da Comarca de Maringá em três períodos: entre dezembro de 2013 e junho de 2016; entre maio de 2009 e maio de 2023 e entre fevereiro de 2025 e março deste ano.
Autores da homenagem
O vereador William Gentil destacou a atuação de José Cândido Sobrinho na área da Infância e da Juventude, especialmente por meio do projeto Adoção Segura. A iniciativa demonstrou como o Poder Judiciário pode atuar para além dos processos e decisões, buscando combater adoções irregulares, prevenir situações de abandono e orientar famílias.
“Uma criança encontrou uma família, uma criança que deixou uma situação de abandono ou a família recebeu a oportunidade de construir uma história: isso é um legado. E esse tipo de legado acompanha uma pessoa para sempre”, afirmou.
O vereador Mário Hossokawa enfatizou que José Cândido Sobrinho construiu uma trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pelo compromisso com o serviço público e pela contribuição para o desenvolvimento institucional da Comarca de Maringá e do Poder Judiciário paranaense.
“Durante a pandemia de 2019, novamente se demonstrou capacidade de liderança e responsabilidade institucional ao implementar medidas que garantiram a continuidade do serviço judicial, por meio de trabalho, da realização de audiências virtuais e da manutenção da proteção integral das crianças e adolescentes, assegurando pleno funcionamento da Justiça mesmo em um dos períodos de maiores desafios da história recente”, destacou.
Exemplo
O juiz federal Anderson Furlan destacou a trajetória do homenageado, ressaltando que sua atuação em mais de 30 anos em Maringá representa, em sua avaliação, a magistratura exercida com integridade.
Na avaliação do magistrado, a trajetória de José Cândido Sobrinho também simboliza a atuação cotidiana de juízes que exercem suas funções de maneira laboriosa, honesta e íntegra.
O magistrado concluiu afirmando que a homenagem é merecida e que também representa um alento para os juízes que, segundo ele, enfrentam atualmente um período de dificuldades.
“Então, essa homenagem, mais do que merecida nesse momento para a magistratura, especialmente na magistratura de Maringá, é também um bálsamo que alivia um pouco as dores pelas quais todos os juízes hoje carregam.”
Representando o Poder Executivo, o chefe de Gabinete do Prefeito, Diego Ferreira destacou o significado do título de Cidadão Benemérito e afirmou que a honraria reconhece não apenas um gesto isolado, mas uma vida inteira dedicada ao bem comum.
“Poucos títulos traduzem tão bem o seu significado. Benemérito é aquele que fez por merecer o reconhecimento de uma comunidade, não por um gesto isolado, mas por uma vida inteira dedicada ao bem comum”.”
Valorização das origens
O desembargador José Cândido Sobrinho lembrou suas origens em Assaí, no Paraná, onde nasceu e cresceu em uma família simples da zona rural. Destacou os ensinamentos recebidos dos pais, Cândido e Benedita, e ressaltou que eles transmitiram a ele e aos sete irmãos, principalmente pelo exemplo, valores que carregou durante toda a vida.
“Lembro daquele menino de pouco mais de sete anos, que morava no sítio, caminhava mais de uma hora todos os dias para estudar na cidade. Foram aproximadamente 12 anos nessas caminhadas. Naquela época, eu achava que isso era um sacrifício. Hoje, olhando para trás, penso que talvez tenha sido também uma boa preparação para os caminhos que a vida me reservava.”
O magistrado afirmou que aqueles anos simples contribuíram para formar o homem que procurou ser ao longo da vida e destacou a importância da fé em sua trajetória. Por isso, iniciou seus agradecimentos a Deus, a quem atribuiu presença constante nos momentos tranquilos e também nas decisões difíceis da vida profissional.
Sobrinho também recordou o início de sua relação com Maringá, em 1980, quando tinha 27 anos, havia acabado de se formar em Londrina e começava a advogar. Contou que sua primeira aproximação com a cidade ocorreu quando veio ao fórum para distribuir uma ação.
“A minha história com Maringá começou em 1980. Eu tinha 27 anos, estava recém-formado em Londrina, começando a advogar. Até Maringá, fui ao Juizado, a distribuir uma ação no fórum. O fórum, naquela época, que nós estamos tentando reconstruir hoje, estava sendo construído. Naquela época, em 1980, por volta de 1980, o fórum de Maringá era improvisado na Avenida Brasil, em cima da Casa Caça e Pesca, salvo engano.”
Dois anos depois, sua relação com Maringá começou a se estreitar por motivos pessoais. Ele passou a visitar a cidade para encontrar Claudete, sua então namorada. Em maio de 1984, os dois se casaram na Catedral Nossa Senhora da Glória, local que, por esse motivo, passou a ter um significado especial em sua história.
Ainda naquele ano, foi aprovado no concurso para a magistratura. A partir daí, passou por Toledo, Grandes Rios, Ivaiporã e Campo Mourão, período que descreveu como uma fase de mudanças, desafios e aprendizados. Apesar disso, Maringá permaneceu presente na vida do casal, especialmente nas visitas frequentes aos pais de Claudete.
O homenageado sublinhou que em Maringá que aconteceram os fatos mais importantes da sua vida: a formação da família na cidade, lembrando que seus filhos nasceram, cresceram, estudaram e se casaram em Maringá. Também mencionou os familiares que vieram com os casamentos dos filhos e falou com emoção sobre o nascimento das netas e sobre a chegada de mais um neto.
Ao falar da família, o desembargador fez um agradecimento especial à esposa, Claudete, destacando os 42 anos de casamento e o apoio que recebeu durante toda a carreira, nas mudanças de cidade, nas decisões familiares e nos períodos em que as exigências da magistratura foram maiores.
“Você sempre esteve do meu lado, você e nossos filhos, Bruno e Isabela, sempre foram meu porto seguro. Se hoje recebo esta homenagem, saibam que uma parte muito importante dela pertence a vocês. Nenhuma trajetória é verdadeiramente individual, e a minha certamente não foi.”
José Cândido Sobrinho contou que recebeu a notícia de que seria homenageado e que ficou profundamente emocionado ao compreender o significado do título: a cidade que ele havia escolhido muitos anos antes estava, oficialmente, escolhendo-o também.
“Quando meu filho Bruno me deu a notícia de que eu receberia esse título, eu fiquei muito feliz e profundamente emocionado, porque compreendi imediatamente o seu significado. A cidade que eu havia adotado tantos anos antes estava agora oficialmente me adotando também.”
Sobrinho afirmou que receber oficialmente o título de Cidadão Benemérito significa reconhecer uma condição que seu coração já havia assumido havia muitos anos: a de pertencer a Maringá.
“Recebo essa homenagem com gratidão pelo que passou, com compromisso pelo que ainda possa fazer e com responsabilidade pelo título que, a partir dessa noite, carregarei com enorme orgulho. Hoje posso finalmente dizer, não apenas com o coração, mas também com o reconhecimento oficial desta cidade: sou maringaense.”
(Texto: Comunicação CMM. Foto: Marquinhos Oliveira/CMM)