Após conquistar os títulos europeu e mundial da classe ILCA 6 de vela (antiga classe Laser) na categoria sub-19, Erik Scheidt parte para um novo desafio internacional. O filho do bicampeão olímpico Robert Scheidt embarcou para Portugal, onde vai disputar mais um mundial na classe ILCA 6, desta vez, na categoria aberta, ou seja, sem limite de idade.
Com 17 anos completados em agosto, Erik é um dos quatro brasileiros inscritos para a competição que reunirá 62 velejadores de 18 países. As regatas serão em Vilamoura, tendo o Capable Planet Clube Náutico como sede. A programação do evento começou nesta sexta-feira (25), mas a disputa será a partir da próxima segunda-feira (28), prosseguindo até sexta-feira (2 de outubro).
De retorno à Europa após uma temporada perfeita, com vitória na Kieler Woche/Semana de Kiel, na Alemanha, antes de subir ao lugar mais alto do pódio nos campeonatos Europeu e Mundial da classe ILCA 6. “Foi uma temporada muito boa na Europa, onde consegui vencer os três campeonatos que corri. Esses campeonatos ajudaram muito no meu desenvolvimento. Agora é seguir em frente e tentar velejar da melhor forma possível em Portugal”, comenta Erik.
A ascensão na vela torna as comparações com o pai inevitáveis. Para Erik, isso é mais motivo de orgulho do que de pressão. “Competir na mesma classe que meu pai fez história é uma inspiração. Muita gente diz que nosso jeito de velejar, o estilo, a postura no barco, é bem parecido. Estou seguindo meu próprio caminho. Não sei se conseguirei conquistar tudo que ele conquistou, ser impecável como ele, mas a garra para lutar tem que ser a mesma que a dele. De verdade, eu não sinto muito peso ou responsabilidade de ser filho de dois campeões. Com certeza eles ajudam muito, porque já passaram por tudo que estou vivendo e ainda vou viver. Mas eu não sinto nenhuma pressão especial”, afirma Erik, que complementa, citando a mãe, a lituana Gintare, medalha de prata nos Jogos de Pequim/2008 e campeã mundial em 2012, na classe Laser Radial.
“Também trago muita coisa da minha mãe, com a calma que ela tem, que é muito importante nos momentos de pressão. A frieza que ela tem em situações complicadas é bizarro. Ela está sempre tranquila, um pouquinho diferente do meu pai, às vezes agitado. Mas ambos têm a vontade de ganhar, a competitividade sem nunca desistir. Tudo isso eles me ensinam pelo exemplo. Me ensinaram a sempre fazer tudo bem feito, da melhor forma possível. E, claro, a manter a humildade, sempre. Então, herdei um pouco de cada um e os mesmos princípios dos dois.”
Outro ponto que Erik ressalta é o apoio incondicional como um diferencial na família Scheidt. “Meus pais nunca cobraram resultado. Ficam muito felizes quando o resultado chega, claro, porque sabem o quanto de trabalho existe por trás de cada vitória. E isso ajuda especialmente quando as coisas não saem como eu queria. Quando não vou bem e chego em casa muitas vezes arrasado, só encontro carinho e compreensão. Para eles, a colocação nem sempre é o mais importante, mas, sim, o aprendizado após cada campeonato. Porque, no final, precisamos passar pelas derrotas para chegar às vitórias. Essa temporada vitoriosa tem comprovado isso.”
Jogos Olímpicos - Aos 17 anos, Erik considera cedo falar em Olimpíada. Mas, quando chegar a hora, a certeza é de que defenderá a bandeira do Brasil. Nascido na Lituânia, o velejador tem cidadania brasileira e foi com as cores verde e amarela que subiu ao pódio nas três conquistas recentes. Com residência fixa na Ilhabela desde 2023, o filho de Robert Scheidt fala com maturidade sobre o futuro.“Tenho mais um ano na categoria juventude (até 18 anos) e devo continuar no ILCA 6, correndo campeonatos dessa classe aqui no Brasil e no exterior. Para classes Olímpicas, eu preciso ganhar mais peso para passar para o ILCA 7 (barco com uma vela maior, passando de 5,76 m² do ILCA 6 para 7,06 m²)”, afirma ele, que completa.
“Acho que Los Angeles 2028 é um pouco cedo ainda. Meu pai concorda. Ainda tem muito trabalho ainda para ser feito. Acho que não é um horizonte muito real, pode até ser que aconteça se tudo correr perfeitamente, mas eu acho que ainda não vou estar preparado para alguma chance de medalha”, avalia Erik, que segue os passos do pai, sempre focado na preparação para entrar nas competições com chances reais de pódio.
(Texto: Assessoria. Foto: @SAILINGLENS/Divulgação)