A 16ª edição do Shimano Fest, com patrocínio máster da OGGI Bikes, foi uma fotografia bastante nítida do atual momento do mercado da bicicleta no Brasil. Um setor que continua apresentando novidades e investindo em inovação, mas que também enfrenta um cenário de mudanças profundas, com novas tecnologias, transformação do comportamento do consumidor e a necessidade de encontrar estratégias para recuperar o ritmo de crescimento.
Em um ano marcado por ajustes em diversas empresas, crédito caro e mais restrito, elevada inadimplência e um mercado de bicicletas tradicionais ainda pressionado, o setor também convive com a expansão das bicicletas elétricas e dos autopropelidos. O resultado é um mercado em busca de equilíbrio, que encontra no Shimano Fest um importante espaço para apresentar novidades, fazer negócios, avaliar tendências e, principalmente, estar próximo do consumidor.
Embora a edição de 2026 tenha registrado uma queda de 15% no público em relação à edição anterior, a movimentação observada durante os quatro dias mostrou que o interesse pela bicicleta permanece forte.
Um dos indicadores mais expressivos foi justamente o crescimento do número de pessoas que chegaram ao evento pedalando. O bicicletário, ampliado nesta edição, recebeu 6.600 bicicletas no domingo, um aumento de 22% em relação à edição anterior. O Festival também reuniu cerca de 4 mil participantes no 7º Passeio Ciclístico Shimano Fest & Santuu e outros 2.200 participantes no Giro d’Italia Ride Like a Pro Brasil – Edição São Paulo, que estreou dentro da programação do festival.
Mercado em busca de novos caminhos
Em relação à edição anterior, o volume de negócios apresentou crescimento de aproximadamente 5%, resultado que demonstra um cenário de equilíbrio e resiliência diante das condições atuais do mercado. Para algumas empresas, o momento ainda é de revisão de posições e estratégias; para outras, o saldo foi positivo, com crescimento e novos negócios.
“Apesar do cenário desafiador que o mercado atravessa, os resultados apresentados pelos expositores mostram um quadro de equilíbrio. Enquanto algumas empresas registraram queda no faturamento, outras superaram suas estimativas e tiveram resultados acima do esperado. Essa combinação permitiu compensar as diferenças e fez com que o Shimano Fest atingisse a marca de aproximadamente R$ 80 milhões em volume de negócios, um resultado que demonstra a relevância do evento para a indústria e para toda a cadeia da bicicleta no Brasil.”, afirma Rogério Tancredi, diretor Comercial e de Marketing Latam da Shimano.
Essa diversidade de percepções esteve presente nos estandes e nas conversas durante os quatro dias do festival.
Para Sérgio Gallo, da Groove Bikes, o resultado ficou acima das expectativas, especialmente pela boa presença de lojistas. “Atendeu as expectativas, até pela quantidade de lojistas que compareceram. Acho que está um evento mais agradável, o tempo ajudou muito. E o público também foi grande. O Giro d’Italia, acho que trouxe um glamour especial ao evento este ano.”
A Groove é um exemplo de empresa que vem revendo sua estratégia diante das transformações do mercado. Segundo Gallo, a marca passou nos últimos anos por um processo de mudança de posicionamento, com maior concentração em bicicletas elétricas e modelos de carbono.
Para Dieter Filho, da Vita Distribuidora, a presença no Shimano Fest é fundamental pelo caráter de vitrine que o evento representa para o setor. “O Shimano Fest é um encontro anual de todas as marcas, de todo o pessoal do segmento de bicicleta. É a vitrine hoje para as nossas marcas”, destaca o empresário, que está lançando a linha de bicicletas de estrada e triatlo da QuickPro.
Mesmo reconhecendo o momento econômico mais difícil, Dieter destaca o crescimento do mercado de bicicletas de estrada e a aposta da empresa em produtos com boa relação custo-benefício e maior acessibilidade ao consumidor brasileiro.
O sentimento também aparece entre empresas que trabalham com diferentes segmentos do mercado. Marcos Ribeiro, Diretor de vendas, marketing e desenvolvimento de produtos da Caloi, classificou a participação da marca como muito positiva e destacou o momento de transformação vivido pela empresa. “Estamos agora em uma nova jornada, em um momento de retomada de mercado. É uma mudança de chave muito grande para a gente. Isso traz de novo a visibilidade da marca e coloca a Caloi de volta à primeira pedalada, ao que estamos chamando de pedal para todos.”
Ribeiro ainda destacou que as mudanças internas foram potencializadas durante o evento. “Para a gente foi muito bom. Estamos próximos de quebrar o recorde histórico de todos os Shimano Fest que nós já tivemos.”
Para Caio, da Athor, o Shimano Fest representa também um momento de recuperação da confiança para o segundo semestre. “A gente sentiu aqui os clientes mais animados para o segundo semestre. Para a gente, é um evento que energiza. Voltamos para a fábrica com bastante pedidos e o pessoal fica mais animado.”
Já para a OGGI, o resultado foi ainda mais expressivo. Segundo Luiz Souza, gerente de Vendas, a empresa superou as expectativas e registrou recordes de vendas e negociações durante o evento. “O mercado mudou muito e está cada vez mais volátil. Antigamente, uma mudança de produto ou de tendência podia levar cinco, sete ou até dez anos para acontecer. Hoje, em apenas um ano, aquilo que é atual pode se tornar ultrapassado. Acompanhar essa evolução é um grande desafio para toda a indústria e para toda a cadeia, e acreditamos que estamos conseguindo acompanhar esse movimento.”
Souza também destacou a importância da aproximação direta com o consumidor. “O contato direto com os ciclistas, que conheceram produtos, fizeram perguntas e acompanharam os lançamentos, funcionou como uma espécie de validação das decisões tomadas pela indústria nos últimos anos.”
A necessidade de compreender esse novo cenário e encontrar alternativas também foi destacada por Francis Resende, gerente de Marketing da Isapa, “Estamos em um mercado que passa por uma situação não tão boa, por conta da economia geral, mas temos a convicção de que fizemos bem em estar no evento, já que precisamos fazer o movimento da roda girar em uma velocidade maior.”
Um mercado que muda cada vez mais rápido
Uma das principais mensagens deixadas pelo Shimano Fest 2026 é justamente a velocidade com que o mercado está se transformando.
As bicicletas elétricas são hoje uma realidade e representam uma das principais frentes de expansão do setor. Ao mesmo tempo, novas propostas e tecnologias apresentadas durante o festival mostram que a indústria continua buscando caminhos para criar desejo, atender diferentes perfis de consumidores e ampliar o mercado.
Essa transformação também passa pela própria utilização da bicicleta. Como destacou Luiz Souza, da OGGI, “a bicicleta elétrica vem permitindo que pessoas que haviam deixado de pedalar voltem ao ciclismo e que grupos com diferentes níveis de condicionamento possam compartilhar os mesmos trajetos.”
Quando o mercado encontra o consumidor
Nos dois últimos dias, quando os portões foram abertos ao público em geral, a dimensão do Shimano Fest ganhou outra característica com as experiências oferecidas pelas marcas transformando o fim de semana em um grande encontro da comunidade da bicicleta.
A forte presença de ciclistas chegando ao evento sobre duas rodas reforçou essa conexão. O crescimento de 22% no número de bicicletas estacionadas no bicicletário, no domingo, é um dos indicadores mais claros dessa aproximação.
Pelo Test Ride passaram 4.800 pessoas, número que reforça o papel da experiência direta com os produtos em um evento que reúne indústria e consumidor no mesmo espaço.
Somados ao Passeio Ciclístico Shimano Fest & Santuu e à estreia do Giro d’Italia Ride Like a Pro Brasil – Edição São Paulo, os números mostram que o evento não apenas fala sobre bicicleta: ele coloca milhares de pessoas sobre a bicicleta.
(Texto: Assessoria. Foto: Márcio de Miranda / Shimano Fest)